Turismo em 2027 terá foco em IA e personalização
Segundo a pesquisa publicada no Hospitality Net, 77% dos entrevistados no mundo têm interesse em viajar para fazer algo completamente diferente do que fariam normalmente. Além disso, 81% escolheriam um destino com base em como desejam se sentir, em vez de priorizar o lugar em si.
Realizado em julho e agosto de 2026, o levantamento ouviu 28.230 pessoas de 32 países e territórios, incluindo o Brasil. Em sua 11ª edição, o estudo combina dados de consumidores com percepções de funcionários da empresa sobre as mudanças no comportamento dos viajantes.
Viagens fora do padrão e orçamento dos acompanhantes
A busca por experiências inesperadas deve ganhar força em 2027. Além dos 77% interessados em atividades fora do habitual, 36% querem surpreender amigos e familiares com suas escolhas, experimentando atividades que normalmente não fariam parte de seus planos.
O orçamento também aparece como fator decisivo na escolha dos acompanhantes. Metade dos entrevistados (50%) já reconsiderou quem convidar para uma viagem por causa de diferenças nos gastos, enquanto 51% relataram conflitos motivados por expectativas financeiras distintas. Entre os pais, 61% demonstraram interesse em viajar sem os filhos para gastar mais consigo mesmos. Outros 38% afirmaram já ter excluído pessoas de um grupo de viagem.
A escolha de destinos com base no estado emocional também ganha relevância. Para 76% dos entrevistados, seria interessante utilizar uma ferramenta capaz de recomendar lugares conforme o humor ou as emoções. Entre os integrantes da geração Z, 76% aceitariam compartilhar dados de dispositivos vestíveis, informações do celular e indicadores emocionais com empresas de turismo para personalizar a experiência. Entre os baby boomers, o índice é de 35%.
A personalização deve influenciar também os pacotes turísticos. Para 66% dos participantes, seria interessante contratar uma opção que permitisse retirar serviços que não pretendem utilizar. Além disso, 58% deixariam a alimentação influenciar a escolha da hospedagem ou do destino. Mudanças relacionadas à saúde, ao corpo ou ao estilo de vida já interferiram nas decisões de viagem de 67% dos entrevistados.
IA e bem-estar
A IA pode transformar a relação entre trabalho e férias. Cerca de 64% dos entrevistados gostariam de contar com um agente de IA para administrar suas tarefas profissionais durante as viagens. O levantamento mostra ainda que 58% consideram o último dia de descanso menos agradável por pensar no retorno ao trabalho, enquanto 38% levam o computador para acompanhar os e-mails. Outros 44% utilizariam a tecnologia para se atualizar sobre as atividades profissionais e conseguir um dia extra de folga.
O bem-estar deve ganhar espaço também durante os voos. Segundo a pesquisa, 89% fariam uma viagem aérea de longa distância se tivessem a garantia de chegar descansados e revigorados. Entre os recursos desejados estão orientações sobre alimentação e consumo de cafeína para favorecer o sono (33%), iluminação para reduzir os efeitos do jet lag (20%) e kits de cuidados com a pele (19%). Além disso, 24% escolheriam uma área silenciosa e sem crianças a bordo, caso essa opção estivesse disponível.
Esporte e relacionamentos nas viagens
As atividades físicas devem funcionar como ponto de partida para novas conexões. Entre os entrevistados que já viajaram sozinhos, 66% disseram que uma atividade ou desafio físico compartilhado resultou em uma amizade duradoura. Além disso, 55% demonstraram interesse em participar de comunidades de atletas ou pessoas com interesses semelhantes durante as viagens. Entre os viajantes solo, 52% gostariam de participar de eventos esportivos ou atividades de condicionamento físico em outros destinos.
As viagens a dois, por sua vez, podem ajudar na resolução de conflitos. Segundo o levantamento, 47% considerariam fazer uma viagem para resolver desentendimentos com o parceiro, enquanto 81% afirmaram que pelo menos uma atividade realizada nas férias favorece conversas honestas ou difíceis. Caminhar ou fazer trilhas foi apontado por 35% como uma das atividades mais eficazes para esse objetivo.
Para Paul Hennessy, diretor de Marketing da Booking.com, as viagens estão cada vez mais relacionadas à expressão da individualidade, em vez de seguir modelos tradicionais. O executivo também destaca o papel da IA e da personalização na adaptação das diferentes etapas da jornada às intenções e emoções de cada viajante.
Fonte: HotelierNews



