Com apoio da ONU, Atlantica amplia contratação de refugiados no Brasil

contratação de refugiados no Brasil
Atlantica Hospitality International adere ao Fórum Empresas com Refugiados da ONU e planeja ter profissionais em refúgio em 40% de seus hotéis - Crédito: divulgação

Com apoio da ONU, Atlantica amplia contratação de refugiados no Brasil

Com a parceria, a rede hoteleira pretende ampliar seu programa de empregabilidade e alcançar, até o fim de 2026, a marca de 40% dos hotéis com profissionais em situação de refúgio em suas equipes. Atualmente, a companhia conta com 85 colaboradores refugiados, distribuídos em 28% de seus empreendimentos.

Parceria com a ONU fortalece programa de inclusão

A adesão permitirá que a área de Gestão de Pessoas & Cultura (GP&C) da Atlantica participe de grupos de trabalho globais, compartilhe experiências com empresas de diferentes setores e tenha acesso a orientações técnicas e materiais especializados da ONU.

O objetivo é aprimorar os processos de documentação, contratação e integração de profissionais refugiados, garantindo maior segurança jurídica e eficiência operacional.

“Termos parceria com o Fórum Empresas com Refugiados consolida a expansão nacional do projeto ‘Portas Abertas’, que nasceu das primeiras contratações realizadas em alguns dos hotéis da rede em São Paulo. O objetivo é estruturar o processo de recrutamento e fidelização desses profissionais com o suporte técnico da ONU, mostrando ao setor que a inclusão social se traduz diretamente em eficiência operacional”, afirma Fernando Morais, Diretor de Gestão de Pessoas & Cultura da Atlantica Hospitality International.

Projeto Portas Abertas nasceu em hotel de São Paulo

A iniciativa de contratação de pessoas refugiadas começou no Clarion Faria Lima, na capital paulista, e deu origem ao projeto Portas Abertas, que integra o Aja pelas Pessoas, uma das frentes do programa ESG da Atlantica.

Desde então, o projeto foi ampliado para toda a rede, contemplando também outros grupos que enfrentam desafios de inserção profissional, como pessoas com mais de 50 anos, jovens em busca do primeiro emprego, pessoas com deficiência, neurodivergentes e integrantes da comunidade LGBTQIAPN+.

Na frente dedicada aos refugiados, a companhia passou a adotar procedimentos padronizados em seus hotéis, abrangendo desde o recrutamento até a integração, o desenvolvimento e a retenção dos profissionais.

A expectativa é ampliar a presença desses colaboradores nos empreendimentos da rede, contribuindo tanto para a inclusão social quanto para a formação de equipes com diferentes experiências e repertórios culturais.

“Para nós, o projeto reforça a estratégia de diversidade e impacto social da empresa ao conectar a operação a talentos de alta capacidade e engajamento. Profissionais em situação de refúgio agregam um valor expressivo às nossas equipes por sua dedicação, resiliência e constante busca por evolução. Trata-se de uma via de mão dupla legítima: a hotelaria ganha em qualidade de execução, disciplina e repertório cultural, enquanto oferece caminhos consistentes de desenvolvimento e ascensão profissional”, complementa Morais.

Acesso ao emprego formal ainda é desafio para refugiados

A iniciativa ocorre em um cenário de dificuldades para a inserção de pessoas refugiadas no mercado de trabalho brasileiro. Até o fim de 2025, o Brasil havia reconhecido 165.774 pessoas como refugiadas, segundo dados da Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Embora refugiados e solicitantes de refúgio tenham direito ao trabalho formal no país, a empregabilidade continua sendo um dos principais obstáculos enfrentados por essa população.

Dados apresentados pelo ACNUR indicam que 55,7% das pessoas refugiadas no Brasil estavam desempregadas, enquanto 16,3% trabalhavam informalmente e apenas 14,9% possuíam vínculo formal de emprego.

Outro desafio é o aproveitamento da qualificação profissional. Segundo os dados divulgados, 55,4% das pessoas refugiadas que trabalhavam exerciam atividades incompatíveis com sua formação acadêmica ou experiência anterior.

Atlantica reúne cerca de 170 empreendimentos no Brasil

Fundada em 1998, a Atlantica Hospitality International administra aproximadamente 170 empreendimentos, que somam 28 mil quartos em 74 cidades brasileiras. A companhia possui mais de seis mil colaboradores e atua com marcas próprias e bandeiras internacionais.

Seu portfólio reúne hotéis de redes como Choice Hotels, Hilton e Wyndham, além das marcas Transamerica Hotels e de empreendimentos com a chancela by Atlantica.

A empresa também atua nos segmentos de franquias hoteleiras, multipropriedade e residenciais com serviços, por meio de marcas como Roomo Transamerica e Radisson Serviced Apartments.

Fonte: Diário do turismo