El Niño: riscos e cuidados no Brasil
O El Niño altera a circulação da atmosfera e pode intensificar extremos climáticos no Brasil, com reflexos na saúde, no abastecimento de água e na agricultura. O fenômeno resulta do aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial e influencia a distribuição das chuvas e das temperaturas.
Em boletim divulgado em 30 de setembro, o Instituto Nacional de Meteorologia aponta tendências de seca e maior risco de fogo no centro-norte e de chuvas acima da média no Sul. A previsão indica temperaturas elevadas em quase todo o país e persistência do fenômeno pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.
Os efeitos variam conforme a região e a época. No Norte, a redução das chuvas pode baixar rios e dificultar o abastecimento. Em áreas do Nordeste, a estiagem pressiona reservatórios e lavouras. Entretanto, o leste nordestino pode apresentar chuvas acima da média no trimestre de outubro a dezembro.
No Centro-Oeste e no Sudeste, o calor merece atenção, mas as condições de chuva variam, inclusive com previsão de volumes acima da média em parte do Sudeste. No Sul, precipitações intensas elevam o risco de cheias. Essas tendências não determinam o tempo de cada município nem explicam, isoladamente, todo desastre.
Na saúde, o calor intenso pode provocar desidratação, exaustão térmica e insolação, além de agravar doenças preexistentes. Crianças, pessoas idosas, gestantes e trabalhadores expostos ao sol precisam de atenção especial. A fumaça de queimadas também pode irritar olhos e vias respiratórias e piorar problemas como asma.
A prevenção começa com água ao longo do dia, roupas leves, ambientes frescos e pausas à sombra. Evite exercícios intensos nos horários mais quentes e use proteção solar. Pessoas com restrição médica de líquidos devem seguir orientação individual. Em locais com fumaça, reduza a exposição e suspenda atividades físicas ao ar livre.
Enchentes trazem outros perigos: água e lama contaminadas podem transmitir leptospirose, enquanto água e alimentos impróprios favorecem diarreias e hepatite A. Evite atravessar alagamentos, descarte alimentos atingidos e utilize água potável. Na limpeza após a inundação, use botas e luvas, seguindo as orientações das autoridades.
As mudanças de temperatura e chuva também podem favorecer a transmissão de dengue e chikungunya, dependendo das condições locais. Elimine recipientes com água parada, mantenha caixas-d’água tampadas e use repelente conforme o rótulo. Mesmo durante a seca, o armazenamento inadequado de água pode criar focos do mosquito.
Confusão mental, desmaio ou falta de ar exigem atendimento imediato. Em emergências médicas, acione o Samu pelo 192. Febre após contato com enchentes também precisa de avaliação, informando a exposição à equipe de saúde. Acompanhe avisos do Inmet e da Defesa Civil; para receber alertas por SMS, envie seu CEP para 40199. A informação antecipada ajuda famílias e comunidades a reduzir riscos e organizar medidas de proteção.



