Enquanto o mundo briga, o Nordeste recebe

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Enquanto o mundo briga, o Nordeste recebe

Enquanto o mundo briga, o Nordeste recebe

A geopolítica está redesenhando o mapa do turismo mundial e o Nordeste brasileiro é um dos grandes ganhadores. Entenda por quê

O mundo vive um paradoxo curioso em 2026. Ao mesmo tempo em que conflitos armados derrubam destinos turísticos inteiros, o setor de viagens movimenta mais dinheiro do que nunca: o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC) projeta US$ 12 trilhões para o turismo global este ano.

O segredo? O turista não deixou de viajar. Ele trocou de rota. E boa parte dessa rota agora termina no Brasil mais especificamente, no Nordeste.

Um momento histórico em números

Os dados mais recentes não deixam margem para dúvida:

+66,27% de crescimento nas chegadas de turistas internacionais por via aérea no Nordeste no primeiro trimestre de 2026 – 212,4 mil desembarques (Embratur/Governo Federal)

9,29 milhões de turistas internacionais no Brasil em 2025, alta de 37,1% sobre 2024, superando a meta do Plano Nacional de Turismo (BNB/Embratur)

US$ 5,6 bilhões injetados na economia brasileira no primeiro semestre de 2026, crescimento de 12% (Agência Gov)

Brasil é o 4º país do mundo que mais cresceu no turismo internacional entre 2019 e 2025 (OCDE)

5 estados do Nordeste (Bahia, Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Maranhão) estão entre os 10 que mais receberam estrangeiros no 1º quadrimestre/2026 (Diário do Turismo)

Por que isso está acontecendo agora

A resposta tem três camadas:

O mundo está instável e o viajante busca estabilidade. Com conflitos no Oriente Médio e tensões em várias regiões, o viajante internacional passou a escolher destinos que comunicam segurança, acessibilidade e previsibilidade. O Brasil entrou exatamente nesse Enquanto Dubai perdia 75% da receita de quartos (US$ 1,8 bilhão) por causa do conflito no Golfo (McKinsey), a Bahia crescia 56,5% em visitantes estrangeiros (BNB).

O combustível mudou o cálculo das rotas. O querosene de aviação subiu cerca de 55% em 2026, reflexo direto dos conflitos. Voos que passavam por rotas do Golfo ficaram caros e arriscados o que abriu espaço para conexões diretas com o Brasil. O Nordeste ganhou mais de 1.000 novos voos internacionais por ano entre 2025 e 2026 (Ministério dos Portos e Aeroportos).

O Brasil se posicionou estrategicamente. A promoção internacional (programa Brasil DNA 2026, da Embratur) diversificou os mercados emissores

Europa e América do Sul lideram, reduzindo a dependência de qualquer região específica.

O que isso significa para quem trabalha com turismo

O momento é de janela histórica, mas a janela não fica aberta para sempre. A demanda está vindo; a pergunta é se os destinos estão prontos para recebê-la bem com infraestrutura, qualificação e, principalmente, preservando a identidade que faz do Nordeste um lugar único

Nos próximos artigos desta série, vou mostrar quem perde e quem ganha nessa redistribuição, e para onde o turismo está indo nos próximos 12 meses.

Texto: Marcelo Poletto