Baleia-jubarte: a gigante que transforma o litoral brasileiro em berçário
A baleia-jubarte é uma das espécies mais admiradas dos oceanos. Conhecida pelos saltos impressionantes, pelo canto característico e pelas grandes nadadeiras peitorais, ela retorna todos os anos ao litoral brasileiro para cumprir uma etapa essencial de seu ciclo de vida: a reprodução.
Seu nome científico, Megaptera novaeangliae, está relacionado ao tamanho de suas nadadeiras peitorais, que podem representar aproximadamente um terço do comprimento do corpo. Um indivíduo adulto pode alcançar até 16 metros e pesar cerca de 40 toneladas. O corpo apresenta coloração predominantemente escura, enquanto a parte inferior da cauda possui desenhos brancos e pretos exclusivos, funcionando como uma espécie de impressão digital usada por pesquisadores para identificar cada animal.
Apesar do tamanho, a jubarte se alimenta de organismos pequenos. Ela pertence ao grupo das baleias de barbatana e não possui dentes. Dentro da boca existem estruturas semelhantes a grandes escovas, responsáveis por filtrar a água e reter alimentos como krill, sardinhas e outros peixes de cardume. Para se alimentar, a baleia abre a boca, engole uma grande quantidade de água e depois a expulsa pelas barbatanas.
Assim como os seres humanos, as jubartes são mamíferos e precisam subir à superfície para respirar. O chamado borrifo, frequentemente visto durante as observações no mar, é formado principalmente pelo ar quente expelido pelo animal e pela água vaporizada acumulada sobre o orifício respiratório. A espécie pode permanecer submersa por cerca de 30 minutos e alcançar profundidades superiores a 600 metros, embora normalmente realize mergulhos mais curtos e rasos durante sua passagem pela costa brasileira.
Uma longa viagem pelo Atlântico
Todos os anos, as jubartes que frequentam o Brasil realizam uma viagem de quase nove mil quilômetros. Durante o verão, elas permanecem nos mares próximos à Antártica, onde encontram alimento em abundância. No inverno e na primavera, seguem para águas brasileiras mais quentes e protegidas, utilizadas para acasalamento, nascimento e amamentação dos filhotes.
O Banco dos Abrolhos, localizado entre o sul da Bahia e o norte do Espírito Santo, concentra grande parte desses animais durante o período reprodutivo. Com a recuperação da população, as avistagens também se tornaram mais frequentes em outras áreas do litoral, incluindo regiões do Rio de Janeiro e de São Paulo.
A trajetória da baleia-jubarte no Brasil representa uma importante conquista da conservação marinha. A página do Projeto Baleia Jubarte estima uma população superior a 30 mil animais, número muito maior do que os aproximadamente mil indivíduos registrados quando o projeto iniciou suas atividades, em 1988. Em 2014, a espécie deixou a lista oficial de animais brasileiros ameaçados de extinção.
Mesmo diante dessa recuperação, preservar os oceanos continua sendo indispensável. A proteção das áreas de reprodução, o acompanhamento científico e a observação responsável ajudam a garantir que esses gigantes continuem atravessando o Atlântico e encantando novas gerações.
Fonte: Projeto Baleia Jubarte





